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O povo Ka’apor denuncia novas invasões de madeireiros na Terra Indígena Alto Turiaçu, Maranhão. Há uma semana, os indígenas teriam pedido para que madeireiros localizados pela Guarda Florestal Ka’apor às margens do rio Hola saíssem da terra tradicional. Os invasores, porém, não atenderam os Ka’apor.

“Estamos acampados na beira do Rio Hola, dentro do nosso território. Tem ainda 6 caminhões madeireiros e um trator na mata. Não vamos sair de nosso acampamento. O Ibama e Polícia Federal tem que ir lá tirar e prender esses agressores (SIC)”, diz trecho da nota divulgada pelo Conselho de Gestão Ka’apor.

Os indígenas informam que esta será a 8ª Área de Proteção Ka’apor criada para manter a terra indígena a salvo. São cerca de 120 indígenas que diariamente buscam ramais (estradas de terras) madeireiros, focos de incêndio e demais invasões. Fiscalizam também os limites da Alto Turiaçu.

A Funai tem feio oposição a estas ações dos Ka’apor, que já acusaram o órgão indigenista estatal de tentar se intrometer nas organizações sociais do povo. Todavia, os Ka’apor se mantêm decididos em ampliar e seguir com os trabalhos da Guarda Florestal.

“Funai diz que essa fiscalização promove violência contra a gente, mas não faz nada pra evitar invasões. Então a gente faz porque essa terra é nossa. Somos as vítimas e não os culpados pela destruição da nossa floresta. Queremos dizer isso pra todo mundo”, afirma uma liderança Ka’apor. A jovem Iraúna Ka’apor, de 14 anos, sequestrada por madeireiros em abril deste ano da aldeia Axiguirendá, segue desaparecida.

Nossa luta não para! Não vamos deixar madeireiros e incêndios entrar em nosso território!

Nós Povo Ka’apor não paramos nossa luta em defesa do nosso território. Não vamos esperar a Funai, ninguém do governo pra limpar nossos limites, vigiar e tirar madeireiros do nosso território. Junto com nosso Conselho de Gestão Ka’apor decidimos continuar o trabalho.

No inicio desse mês de agosto formamos três grupos de indígenas com apoio de nossa Guarda Florestal para limpar nossos limites contra incêndios, vigiar e proteger contra os madeireiros. São quase 120 indígenas fazendo esse trabalho em nosso território.

No dia 18 de agosto o nosso grupo de 50 pessoas, com nossos guardas florestais, juntamente com nossas mulheres e crianças, encontramos um ramal de madeireiros que tiravam toras de madeira em caminhões de dentro de nosso território. Decidimos fechar esse ramal localizado no Povoado Tancredo Neves, município de Nova Olinda do Maranhão.

Avisamos duas vezes ao Ibama e Polícia Federal sobre essa situação. Mas, como eles não deram retorno pra gente e nem vieram tirar os madeireiros, nós decidimos agir e defender o que é nosso, nosso território, nossa floresta.

Agora, estamos acampados na beira do Rio Hola, dentro do nosso território. Tem ainda 6 caminhões madeireiros e um trator na mata. Não vamos sair de nosso acampamento. O Ibama e Policia Federal tem que ir lá tirar e prender esses agressores.

Avisamos uma semana atrás para os madeireiros saírem da área, mas eles não respeitaram nossa decisão. Por isso nossos Guardas Florestais Ka’apor resolveram agir. Nosso Conselho de Gestão Ka’apor decidiu que essa será a 8ª Área de Proteção Ka’apor criada para manter o nosso território protegido.

Mesmo com uma decisão do juiz federal em 2014 a Funai do Maranhão nunca criou nenhum Posto de vigilância e fiscalização com a participação e consulta ao nosso conselho de gestão. Vamos deslocar mais Guardas Florestais e famílias para o nosso acampamento.

Não podemos deixar a floresta ser destruída, nossa alimentação acabar e nosso território ser destruído. Os Kamará (branco) e o governo ficou com muita terra que era nossa. Nosso povo está aumentando e precisa desse território pra continuar vivendo.

 

Texto e foto: Conselho de Gestão Ka’apor

Artículo original disponible en: http://racismoambiental.net.br/?p=224586

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