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Em oficina organizada pela Acorquirim e o programa da FASE no MT, a juventude rural e pelas mulheres da comunidade Ribeirão da Mutuca relatam sofrer discriminação apenas por ser negro, quilombola e trabalhador/a rural

A discriminação sofrida apenas pelo fato de ser negro, quilombola e trabalhador/a rural, foi destacada pela juventude rural e as mulheres da comunidade Ribeirão da Mutuca, durante duas atividades organizadas para a pela Associação da Comunidade Negra Rural Quilombo Ribeirão da Mutuca (Acorquirim) e pelo programa da FASE no Mato Grosso (MT). As oficinas “Perspectivas e planejamento para a juventude rural” e “Oficina de diagnóstico de gênero” aconteceram junto a outras quatro comunidades quilombolas, que constitui o quilombo Mata Cavalo, situado no município de Nossa Senhora do Livramento, a 32 quilômetros de Cuiabá.

Entre os objetivos está a conscientização dos grupos de agricultores familiares sobre a violência contra as mulheres, a inclusão da juventude quilombola nos processos produtivos e decisivos da comunidade, promovendo o acesso a cultura, renda e outros direitos, para investir na melhoria e beneficiamento dos produtos da comunidade. As oficinas fazem parte das atividades previstas pelo Programa Ecoforte de Fortalecimento e Ampliação das Redes de Agroecologia, Extrativismo e Produção Orgânica, aprovado pelo Grupo de Intercâmbio em Agroecologia (Gias), do qual a Associação Quilombola e a FASE fazem parte.

Uma grande teia se formava à medida que em que os jovens quilombolas recebiam e passavam um rolo de barbante entre eles, enquanto se apresentavam. Essa ‘Teia da Vida’ que marcou o inicio da ‘Oficina de Perspectivas para a juventude’, foi esticada no ponto certo para permanecer firme, mas sem machucar ou escapar das mãos dos participantes, ilustrando assim a necessidade de solidariedade e organização da juventude quilombola.

Francileia Paula de Castro, educadora do programa da FASE no MT, apresentou um mini-documentário do Canal Futura chamado ‘Diz aí juventude rural – Identidade’, composto por depoimentos de jovens que compartilham problemas, lazeres, aspirações do dia a dia, de diferentes áreas rurais do Brasil. Os participantes tiveram a oportunidade de constatar grandes semelhanças entre a sua realidade e a de outras regiões, como por exemplo, a preocupação com os estudos e o trabalho, o gosto por música e futebol e o acesso às novas tecnologias.

No entanto, o aspecto mais marcante da atividade foi a discriminação ao entrar em contato com o meio urbano que, por um lado considera a vida na roça como sendo negativa e atrasada, mas, por outro lado, não tem uma infraestrutura de educação e emprego adaptada para a juventude rural. No caso dos quilombolas, a situação pode ser ainda mais difícil. Os participantes também denunciaram que as pessoas, só porque são negros, quilombolas e da roça, que são burros, não conhecem tecnologia e fazem “macumba”. Eles ainda ressaltaram que essa discriminação acontece em todo o lugar, inclusive na escola.

Após participarem do debate e perceberem que a situação deles não é isolada, os jovens da Mutuca escutaram Robson Prado, também educador do programa da FASE no MT, que contextualizou a discriminação contra o meio rural na história brasileira e apresentou as politicas públicas conquistadas para a essa juventude. Robson explicou que, durante a ditadura militar, foi adotada uma política de discriminação da vida no campo, incitando ao êxodo rural. Foi só no decorrer dos últimos 20 anos que as políticas públicas para a agricultura familiar e a agroecologia começaram a ser conquistadas e pautadas pela sociedade civil. E, apenas nos últimos cinco anos, as políticas voltadas para a juventude rural foram criadas, por exemplo o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar direcionado aos jovens (Pronaf Jovem) ou a Assistência Técnica e Extensão Rural para a Juventude Rural (Ater Juventude Rural), entre outros. Uma atividade de reflexão foi organizada, com base no Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural, criado com o intuito de enfrentar o problema do êxodo rural da juventude. Orientados pelos cinco eixos do Plano (‘Terra e Território’, ‘Trabalho e Renda, ‘Educação do Campo’, ‘Qualidade de Vida’ e ‘Participação, Comunicação e Democracia’), o jovens apresentaram várias propostas, como a regularização do território quilombola, o acesso a capacitações e formações adequadas, o fomento de intercâmbios entre juventudes rurais e a criação de infraestruturas de educação, lazer e transporte adequadas à realidade quilombola.

Oficina de diagnóstico de gênero

“Ser mulher é, em primeiro lugar, ser lutadora”, disseram todas as mulheres quilombolas que participaram da dinâmica do ‘Espelho de Valorização’. O objetivo era apresentar cada participante para o próprio reflexo, relembrando os sonhos de infância, destacando características variadas e, principalmente, definindo e valorizando o que é ‘ser mulher’. “As mulheres nunca param. Entre trabalho doméstico, filhos, emprego e a luta contra a discriminação da sociedade, sobra muito pouco tempo para se olhar no espelho e se valorizar”, explicou Francileia. Foi assim que começou a ‘Oficina de Diagnóstico de Gênero’, com mulheres se olhando, se valorizando e admirando as conquistas alcançadas até então, sempre com muita luta e dignidade.Francileia apresentou o mini-documentário ‘Diz aí juventude rural – Identidade’. Foto: Andrés Pasquis/Gias

Na sequência, as participantes debateram os avanços alcançados no campo dos direitos da mulher, mas lembrando que continuam sendo discriminadas e violentadas em todas as áreas da sociedade, desde o lar até o âmbito político, passando pelo trabalho e os espaços públicos. Elas ressaltaram que é preciso que as mulheres se unam e se organizem para continuar lutando contra uma sociedade machista e violenta. Nesse contexto, foi projetado um documentário elaborado pela Agricultura Familiar e Agroecologia (AS-PTA), chamado ‘Minha vida é no meio do mundo’, sobre a construção de um movimento de mulheres agricultoras do Agreste da Paraíba, que enfrentam a violência através da união, organização e superação, com base na vivência da agroecologia. Na sequência, as participantes puderam denunciar dois aspectos abordados pela juventude: a desvalorização da produção rural agroecológica da mulher e a discriminação sofrida pelo fato de ser negra e quilombola. Para Maria Renata de Jesus, presidenta da Acorquirim, “esse tipo de atividade é importante, pois vamos nos unindo, conversando, trocando experiência e percebemos que não estamos sozinhas. São momentos de fortalecimento psicológico e moral”.

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